quarta-feira, 30 de julho de 2014

PROGRAMAÇÃO COMPLETA!



PROGRAMAÇÃO DA FLIM 2014

 
 
Sexta-feira – 22 de agosto

19h
(1) Abertura – Homenagem a Ferreira Gullar, com apresentação do Coral Madalenense e apresentação de poemas do homenageado, por alunos do Ciep 273

Casa da Cultura

21h
(2) Sarau

 Pizzaria Varanda da Serra

 
Sábado – 23 de agosto

 
9h às 9h30

(3) O trenzinho caipira – Musical: adaptação da obra de Heitor Villa-Lobos e Ferreira Gullar pelos alunos da Creche Luiz Antonio Rocha de Carvalho
Casa da Criança

10h às 11h

(4) Lançamento de livros – “2112... É o fim!”, “A outra face das fotos” e "Rio Só de Amores", de Guina Ramos
Studio Corpo e Forma

10h às 12h

(5) Recorte e Cole – Oficina de colagens com educadores do PED/Inea
Jardim da Colônia de Férias

(6) Natureza em aquarela – Oficina de pintura em aquarela com educadores do Horto Santos Lima
Telecentro Comunitário

(7) Imaginação de criança – Exibição de trabalhos da escola municipal Coronel Mendo Sampaio, do distrito de Doutor Loretti, sobre a obra de Ferreira Gullar
Praça Frouthé

(8) Os animais na poesia de Gullar – Exibição de trabalhos da escola municipal Yolanda Marques Barreto, da localidade de Vila Sampaio
Praça Frouthé

10h às 13h

(9) As formas do lixo – Trabalhos da creche municipal Inah Jacy de Paula Peixoto (distrito de Triunfo), inspirados em “Bichos do Lixo”, de Ferreira Gullar
Praça Frouthé
10h às 14h

(10) Contação de histórias e coreografia – Apresentação de trabalhos da escola municipal Prof. Geraldo Lima Garcia
Sede da Euterpe Madalenense

(11) Reciclar com Gullar – Exibição de trabalhos dos alunos da escola municipal Agulha dos Leais, do distrito de Santo Antonio do Imbé
Praça Frouthé

10h às 15h
(12) O artista local – Oficinas e exposição de artes e artesanato; exibição de artes cênicas

Praça Coronel Braz
10h às 16h

(13 A arte do encontro: Willian Reigoto e Ferreira Gullar – Exposição de obras do artista plástico Willian Reigoto e de estudantes da Escola Estadual Barão de Madalena
Varandão do Barão

(14) Arte na Madeira – Oficina de artes em madeira com alunos e professores da Escola de Marcenaria Otto Schwey
Praça Coronel Braz
10h às 17h

(15) O poeta na escola – Vida e obra de Ferreira Gullar em exposição, dramatizações e danças do Maranhão, por alunos do Ciep 273
Casarão da Rua Barão, 70

10h às 18h
(16) Projeto Livro Livre – Distribuição gratuita de livros novos e usados para todas as idades
Praça Frouthé – Tenda da Biblioteca Juvenil do Dezessete

(17) Tenda dos Autores – Espaço livre para venda direta de livros e interação com os autores
Praça Frouthé

(18) Sabor e Saber – Livraria
Praça Frouthé

(19) Largo das Letras – Livraria
Praça Frouthé

(20) NitPress – Editora especializada em cultura fluminense
Praça Frouthé 

(21) Poeme-se – Camisetas literárias e objetos com design inspirado em poemas e poetas
Praça Frouthé

(22) Pássaros e a Vila dos Sonhos – com João Batista de Freitas. Exposição de arte e venda do livro “Campo de São Bento - Refúgio de Pássaros Livres”, em benefício da Apae
Salão da Colônia de Férias
(23) Educando com artes sustentáveis – Exposição, oficinas e minicursos com educadores ambientais do Inea

Jardim da Colônia de Férias
(24) Figuras, figurinhas, figuraças, figurões – Exposição interativa: famosos do século XX retratados pelo fotojornalista Guina Ramos

Studio Corpo e Forma
(25) Liberati e os escritores – Exposição de caricaturas do cartunista e ilustrador Bruno Liberati

Casa Verde
(26) Zoologia Bizarra – Exposição de colagens de Ferreira Gullar

Casa Verde
11h às 12h

(27) Lançamento de livro – “O Cisne e o Aviador”, de Heliete Vaitsman, e bate-papo com a autora sobre Ficção e História
Studio Corpo e Forma

11h às 23h
(28) A arte do cordel – Exposição de capas de folhetos de cordel

Restaurante Massa di Casa
13h às 14h

(29) Maravilhas da Cultura Negra – Palestra ilustrada com histórias da literatura africana, por Angela Ramos
Casa Verde

13h às 18h
(30) Contando e dramatizando histórias – Recreação em torno de livros infantis, com Neuza Feijó.

Praça Frouthé
14h às 15h

(31) Circo – Apresentação do Circo de La Costa, com o espetáculo La Buska
Praça Frouthé

14h às 16h
(32) Poucas Linhas – Como fazer microcontos por SMS, Twitter e outras  mídias sociais.  Oficina com Rick Azevedo da Cunha. Os participantes devem trazer seus celulares.

Telecentro Comunitário
15h às 16h

(33) Eletropoesia – Mostra de vídeos com leitura de poemas, por Marcus Veras e Elias Fajardo
Casa Verde

15h às 16h30
(34) Maravilhas da Cultura Negra – Jongo de Quissamã

Rua Barão de Madalena
16h às 17h

(35) Lançamento de livro – "Bolsa de Mulher", com palestra da autora, a psicanalista Keli Arruda, sobre saúde emocional feminina e qualidade de vida

Senhor Café

(36) Lançamento de livro – "Qualquer maneira de amar", de Marcus Veras, e “Belo como um abismo”, de Elias Fajardo. Bate-papo e venda de outros livros dos dois autores
Casa Verde
17h às 19h

(37) Ferreira Gullar – Palestra do homenageado da FLIM, seguida de comentários de Eurídice Hespanhol e Wander Lourenço e bate-papo com a plateia

Salão da Câmara Municipal
A partir de 19h

(38) Exposição – Telas de Martinho Santafé

Pizzaria Varanda da Serra

20h

(39) Grande Sertão Gerais – Conferência-espetáculo sobre "Grande Sertão Veredas", de Guimarães Rosa, com o prof. Wander Lourenço e o músico Amarildo Silva
Salão da Câmara Municipal

21h

(40) Música – Grupo Tocando em Frente: MPB instrumental com oito violões
Pizzaria Varanda da Serra

 23h
(41) Céu na Terra: Brasileirando – Grande show popular, com forró, frevo, samba, maracatu e muito carnaval
Palco na Praça Frouthé

Domingo – 24 de agosto
10h às 11h

(42) De Paraty para a FLIM – Bate-papo com Ovídio Poli Junior, autor de "O cavalo probo" e "A rebelião dos peixes", curador da Off Flip das Letras e editor do Selo Off Flip, de Paraty
Casa Verde

10h às 11h30
(43) Oficina ecoliterária – "Tia Cotia e o pomar de mirtáceas", de Fabiana Figueira Corrêa. Contação, com fantoches e jogos, da história do desaparecimento de frutíferas nativas como araçá, uvaia e cabeludinha

Jardim da Colônia de Férias
10h às 14h

(44) Poeme-se – Camisetas e objetos com design inspirado em poemas e poetas
Praça Frouthé

10h às 15h
(45) O artista local – Oficinas e exposição de artes e artesanato; exibição de artes cênicas

Praça Coronel Braz
10h às 16h

(46) Contação de histórias e coreografia – Apresentação de trabalhos da escola municipal Prof. Geraldo Lima Garcia
Sede da Euterpe Madalenense

(47) A arte do encontro: Willian Reigoto e Ferreira Gullar – Exposição de obras do artista plástico Willian Reigoto e de estudantes da Escola Estadual Barão de Madalena
Varandão do Barão

(48) Arte na Madeira – Oficina de artes em madeira com alunos e professores da Escola de Marcenaria Otto Schwey
Praça Coronel Braz

(49) Figuras, figurinhas, figuraças, figurões – Exposição interativa: famosos do século XX retratados pelo fotojornalista Guina Ramos
Studio Corpo e Forma
(50) Educando com artes sustentáveis – Exposição, oficinas e minicursos com educadores ambientais do Inea
Jardim da Colônia de Férias
(51) O poeta na escola – Vida e obra de Ferreira Gullar em exposição, dramatizações e danças do Maranhão, por alunos do Ciep 273
Casarão da Rua Barão, 70
10h às 17h
(52) Projeto Livro Livre – Distribuição gratuita de livros novos e usados para todas as idades
Praça Frouthé – Tenda da Biblioteca Juvenil do Dezessete

10h às 18h
(53) Tenda dos Autores – Espaço livre para venda direta de livros e interação com os autores
Praça Frouthé

(54) Sabor e Saber – Livraria
Praça Frouthé

(55) Largo das Letras – Livraria
Praça Frouthé

(56) NitPress – Editora especializada em cultura fluminense
Praça Frouthé
(57) Pássaros e a Vila dos Sonhos – com João Batista de Freitas. Exposição de arte e venda do livro “Campo de São Bento - Refúgio de Pássaros Livres”, em benefício da Apae

Salão da Colônia de Férias

(58) Liberati e os escritores – Exposição de caricaturas do cartunista e ilustrador Bruno Liberati
Casa Verde

(59) Zoologia Bizarra – Exposição de colagens de Ferreira Gullar
Casa Verde

11h às 12h
(60) Lançamento de livro – "As aventuras da Bruxinha Lelé", de Wander Lourenço
Casa Verde

(61) Bate-papo com o autor – Roda de leitura e conversa com o poeta e contista Wanderlino Teixeira Leite Netto
Salão da Colônia de Férias

 11h às 23h

(62) A arte do cordel – Exposição de capas de folhetos de cordel
Restaurante Massa di Casa

12h às 13h
(63) Jovem talento – Apresentação do livro “Seraf e os Artefatos Místicos – Controlador de Mentes” e bate-papo com o autor, Gabriel Edgar, de 17 anos
Telecentro Comunitário

13h às 14h
(64) Lançamento de livro – “Emanuel e seu chapéu”, infantil de Cecília Pinheiro Ribeiro
Salão da Colônia de Férias

14h às 14h40
(65) E lá vem história... – Contação com o Grupo HistoriArte de Macaé
Casa Verde

15h às 16h
(66) Lançamento de livro – “Minha reza infame”, poemas de Mariucha Correa da Silva, com leitura pela autora
Senhor Café

(67) 1, 2, 3 Conte outra vez... Histórias do folclore brasileiro, com bandinha e ciranda, comandadas pelas contadoras Neli Rigó Geraldes, Lucia Helena da Silva e a tecladista Maria Inez Telhado
Sede da Euterpe Madalenense
 
15h às 17h
(68) Vídeo – Exibição de “Poema Sujo”, a obra-prima de Ferreira Gullar, lida pelo autor
Telecentro Comunitário

16h às 17h
(69) Lançamento de livro – “Lacunas”, poemas de Ana Paula Souza-Filgueira, com leitura pela autora
Restaurante Nova Venda da Zezé
 
18h30
(70) Encerramento – Descerramento da placa da FLIM 2014; divulgação do resultado da exposição interativa “Figuras, figurinhas, figuraças, figurões”; e apresentação da banda Projeto X, com clássicos do rock nacional e internacional
Casa da Cultura

E mais...

 
Tenda das Escolas na Praça Frouthé
Exibição de trabalhos dos alunos das seguintes escolas rurais:
Sábado, 10h às 12h
Corrégio de Castro (distrito de Triunfo)
Hélio de Souza Martins (localidade de Manoel de Moraes)
Santo Antonio do Imbé (distrito de Santo Antonio do Imbé)
Sebastião Borges Barreto (localidade do Brinco)
Vista Alegre (localidade de Vista Alegre)
Osório Bersot (localidade de Osório Bersot)
Creche Manoel de Moraes (distrito de Manoel de Moraes)
Domingo, 10h às 12h
Gentil Carolina M. Trindade (localidade de Renascença)
Vereador Vilmar Cascabulho (localidade de Ribeirão Santíssimo)
Jesuína Portugal Neves (localidade de Alto Imbé)

 
... Homenagem a Gullar: pratos da culinária maranhense nos restaurantes da cidade

quinta-feira, 17 de julho de 2014

FLIM e INEA vão à escola

A organização da FLIM e a equipe do INEA/Parque Estadual do Desengano estão ajudando a Secretaria Municipal de Educação a divulgar a obra de Ferreira Gullar em visitas às escolas municipais de Santa Maria Madalena. As professoras e a direção das escolas estão embarcando rapidamente na criatividade do poeta e preparando as participações dos estudantes madalenenses na FLIM. O plano é visitar todas as escolas rurais até a próxima semana.
 



segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um Gullar para todos os gostos

Ferreira Gullar, o escritor homenageado da FLIM 2014, é um homem múltiplo. Passeia por diferentes formatos e linguagens com desenvoltura. Celebrado como um dos principais poetas brasileiros vivos, também é autor de livros infantojuvenis, roteirista de TV, colunista de jornal, dramaturgo, tradutor, ensaísta, contista e crítico de artes plásticas.

Sua obra se espalha por mais de 40 livros publicados. O mais festejado pela crítica talvez seja o Poema Sujo, longo poema escrito em 1976, numa linguagem que às vezes comove pelo lirismo, às vezes choca pela crueza quase obscena – mas é sempre emocionante e reveladora pela força de sua humanidade.  Um pequeno trecho:
(...) Mas que é o corpo? /Meu corpo feito de carne e de osso/Esse osso que não vejo/maxilares, costelas/flexível armação que me sustenta no espaço/que não me deixa desabar como um saco/vazio/que guarda as vísceras todas/funcionando/como retortas e tubos/fazendo o sangue que faz a carne e o pensamento/e as palavras/ e as mentiras/e os carinhos mais doces mais sacanas/mais sentidos/para explodir uma galáxia de leite/no centro de tuas coxas no fundo/de tua noite ávida (...) 

Nascido em São Luiz do Maranhão em 10/09/1930, José Ribamar Ferreira (o Gullar foi adotado aos 18 anos e é forma aportuguesada de Goulart, sobrenome materno) é um mestre das palavras. Usa-as para falar da beleza e das dores humanas, para criticar as injustiças da vida social, para discutir a função da arte, para entreter, fazer rir e fazer pensar.  Como neste poema:

Não há vagas

O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço



O poema, senhores,
não fede
nem cheira

Seus trabalhos mais populares, mas nem sempre associados a seu nome, são episódios do seriado Carga Pesada e as minisséries Araponga e As noivas de Copacabana, que escreveu para a TV Globo em parceria com o amigo Dias Gomes e outros autores. Foi também em parceria que escreveu peças teatrais de sucesso, entre elas Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, com Oduvaldo Viana Filho, e Dr. Getúlio, sua vida e sua glória, com Dias Gomes.
Aos 84 anos, continua a ser um trabalhador incansável. Acaba de fazer uma nova tradução, modernizada e mais coloquial, do livro “O pequeno príncipe”, do francês Saint-Exupéry; faz desenhos, pinturas e colagens só vistos por quem visita seu apartamento em Copacabana; publica todos os domingos uma coluna no jornal Folha de S.Paulo, onde fala de política, poesia, artes e miudezas do cotidiano;  viaja pelo Brasil fazendo palestras e recebendo homenagens; e ainda arranja tempo para cuidar de sua gata de estimação, a Gatinha, musa inspiradora de uma crônica recente, na qual confessa que queria ser um gato, porque  “o gato não sabe que é mortal; logo, é imortal”.

Gullar das crianças... e dos gatos

Ferreira Gullar adora gatos. Foi um deles que o inspirou a lançar seu primeiro livro infantojuvenil: Um gato chamado Gatinho (ed. Salamandra, 2000). O Gatinho existiu mesmo; morreu aos 16 anos, bem idoso para um bichano.

Animado com a animação dos leitores, Gullar voltou a falar de seus amigos felinos em Um gato que virou história (ed. Lazuli, 2009). Conta a história de um gato que dava um livro, e da sua família que gostava tanto dos bichos, que queria que eles virassem livros.

Publicou também o juvenil O rei que mora no mar (ed.Global, 2001), que relata em versos a lenda da praia dos Lençóis, no Maranhão, onde D. Sebastião, um rei de Portugal que morreu em 1578, estaria vivendo no fundo do mar, transformado num touro negro.

No ano passado, nosso autor juntou duas paixões num livro só: em Bichos do Lixo (ed. Casa da Palavra, 2013) seus textos são ilustrados com coloridas colagens que ele faz usando pedaços de envelopes, convites, anúncios, tudo que lhe cai nas mãos e os outros acham que é lixo.

Enquanto escreve suas próprias histórias para as crianças e jovens, o homenageado da FLIM 2014 vai traduzindo outras. Ele já traduziu as Fábulas de La Fontaine; As mil e uma noites; e, agora, acaba de traduzir O pequeno príncipe (ed. Agir), usando uma linguagem mais coloquial e adequada aos leitores de hoje. A primeira e única versão desse livro no Brasil era de 1954. Agora, a Raposa não diz mais para o Pequeno Príncipe: “- Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Mais moderna, ela prefere dizer: “ – Você é para sempre responsável pelo que cativou”.

O Poema Sujo na voz de seu autor

http://www.youtube.com/watch?v=JZzJWITLL1U&feature=player_embedded

Gullar rebelde


Aos 24 anos, já morando no Rio de Janeiro e trabalhando como redator de jornal, Ferreira Gullar despertou atenção com o livro A luta corporal. Nele, apresentava desde poemas intimistas e líricos a experimentações ousadas para a época, como a invenção de palavras e a fragmentação do texto na página. Isso o aproximou dos paulistas Haroldo e Augusto de Campos, praticantes e teóricos da chamada poesia concreta, um tipo de poesia em que as palavras são arranjadas de forma visual e o suporte do poema tanto pode ser um livro quanto outro qualquer objeto. Mas, logo depois, insatisfeito com o que considerava excesso de autonomia da forma sobre a expressão de sentimentos, juntou-se a um grupo de artistas e jornalistas para fundar o movimento neoconcreto, que agitou as artes plásticas brasileiras nos anos 50 e 60 e projetou artistas como Lygia Clark e Helio Oiticica.
Pouco depois, Gullar trocou a sofisticação da arte de vanguarda pela ação política. Após o golpe militar de 1964, seus textos passaram, mais do que antes, a ter claras preocupações sociais e sua linguagem se tornou mais popular. Recorreu à literatura de cordel para tratar das carências do Nordeste e ajudou a fundar o grupo de teatro Opinião, para o qual escreveu peças que tratavam, geralmente com muita música e bom-humor, das demandas das populações mais pobres das áreas rurais e dos subúrbios.

Em 1969, após a assinatura do AI-5, que sacramentou a instalação da ditadura no país, Gullar foi preso, junto com um grupo que incluía Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em 1971, decidiu se exilar, primeiro em Moscou e depois no Chile, Peru e, finalmente, Argentina. Voltou ao Brasil em 1977. Foi quando o amigo Dias Gomes arranjou-lhe trabalho no núcleo de dramaturgia da Rede Globo. Ali ele escreveu as minisséries Araponga (com Dias Gomes) e As noivas de Copacabana (com Dias Gomes e Marcílio Moraes); o episódio Insensato coração, da Quarta Nobre; diversos episódios dos seriados Carga Pesada e Obrigado doutor; e adaptações de peças de outros autores para a série Aplauso.

Bibliografia de Gullar


A obra do nosso homenageado é muito vasta. Veja uma lista, incompleta, aqui.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Um presente para as escolas madalenenses


Os lindos banners sobre a obra de Mario Quintana criados pelo designer Pierry Vicentini, para ornamentar Santa Maria Madalena durante a FLIM 2013, foram doados pelo artista para as escolas madalenenses. Por vontade do doador, a condição da doação é que os banners sejam colocados na biblioteca ou sala de leitura da escola, para que fiquem acessíveis a todos os alunos.
Em sorteio realizado ontem no Telecentro Comunitário foram premiadas as nove escolas listadas abaixo. Cada uma receberá um banner.

1) EEM Geraldo Lima Garcia (1º Distrito – bairro Largo do Machado)

2) EEM Vista Alegre (3º Distrito – Santo Antonio do Imbé)

3) EEM Coronel Mendo Sampaio (4º Distrito – Dr. Loretti)

4) EEM América de Freitas (6º Distrito – Sossego do Imbé)

5) EEM Corrégio de Castro (2º Distrito – Triunfo)

6) EEM Yolanda Marques Barreto (4º Distrito – Dr. Loretti/Vila Sampaio)

7) EEM Jesuína Portugal Neves (1º Distrito – Alto Imbé)

8) EEM Gentil Carolina Machado Trindade (5º Distrito – Renascença/Barra Linda)

9) EEM Vereador Vilmar Cascabulho (1º Distrito – Ribeirão Santíssimo)

O(a) diretor(a) da escola pode retirar o banner no Telecentro Comunitário, na rua Barão de Madalena, com Simone Giron. Ou aguardar até que a organização da FLIM possa providenciar a entrega na escola.


domingo, 15 de setembro de 2013

Uma festa de palavras, cores e sons

Foi assim a IV Festa Literária de Santa Maria Madalena, nos dias 23 a 25 de agosto de 2013. 

Sob a luz inspiradora da poesia de Mario Quintana, o grande homenageado do evento,


crianças e adultos vivenciaram a alegria...






e a beleza...

da literatura...


da música...




do circo...


do teatro... 




e das artes plásticas.





Os participantes compartilharam saberes...




...e fazeres.





Poetas...
















namorados...


idosos...




crianças...


leram...






escreveram e lançaram livros...




fantasiaram...


brincaram...



cantaram...





dançaram...
































jogaram...















desfilaram...



pela cidade....



toda enfeitada!



Ano que vem tem mais! Palavra do Anjo Malaquias! (*)


(*) Personagem de um poema de Mario Quintana.

Créditos das fotos: Kaká Cabral, Mario Guimarães, Nica Bomfim, Solange Noronha.
Banners da primeira e da penúltima foto: Arte de Pierry Vicentini.




RELATÓRIO FLIM 2013


Apresentação

A FLIM - Festa Literária de Santa Maria Madalena é realizada anualmente no mês de agosto. Desde a primeira edição, em 2010, é uma iniciativa da sociedade civil, em parceria com o poder público e empresas. A missão da FLIM é contribuir para o progresso da educação e da cultura em Santa Maria Madalena e região e para a dinamização da economia do município, através do estímulo ao turismo cultural. 

A FLIM consiste num conjunto de atividades culturais – shows musicais, teatro, artes circenses, lançamento de livros, palestras, exposições e oficinas de artes e literatura – que se prolonga por todo um fim de semana, começando na sexta-feira à noite e acabando ao entardecer do domingo.

Este Relatório mostra os resultados da quarta edição da FLIM, de 23 a 25 de agosto de 2013, que homenageou o poeta gaúcho Mario Quintana, uma das glórias da literatura brasileira. Os resultados obtidos atenderam aos objetivos traçados no início do ano para esta edição: aumentar a qualidade e a diversidade do conteúdo cultural oferecido pela FLIM e a participação de madalenenses e visitantes. Em sua quarta edição, ficou evidente que a Festa Literária de Santa Maria Madalena já se firmou no calendário de eventos do município e da região.

Agradecemos aos patrocinadores, apoiadores, amigos e parceiros, dentro e fora de Santa Maria Madalena. O esforço conjunto dessas pessoas e instituições e dos cidadãos madalenenses garantiu o sucesso do evento. Parabéns a todos.


                                                  Santa Maria Madalena, 16 de setembro de 2013

                      Rogério Botelho – ACIAM (Ass. Ind., Com. e Agropecuária de S.M.Madalena)
                     Janaína Machado Santos Vahia – Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura
                     Terezinha Costa – Biblioteca Juvenil do Dezessete
                                   

O público

Devido à natureza da festa, que é realizada simultaneamente em diferentes locais do centro histórico da cidade, sem controle de entrada, é difícil avaliar números de público. Apesar disso, estimamos que cerca de 3 mil a 4 mil pessoas passaram pelas diferentes atrações. Do total, cerca de 40% eram provenientes de outras cidades, dentre as quais foi possível identificar Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Campos, Cantagalo, Cordeiro, Bom Jardim, Nova Friburgo e Trajano de Moraes.

Além da presença de turistas, que lotaram toda a rede hoteleira da cidade, houve intensa participação de estudantes da rede municipal de ensino. A Secretaria Municipal de Educação serviu mais de 1.500 refeições às crianças e jovens das escolas urbanas e rurais. Para facilitar a vinda dos alunos destas últimas, a Secretaria ofereceu o transporte – ajudando, assim, a cumprir UM dos principais objetivos da FLIM, que é a inclusão social através do acesso à cultura. .


O conteúdo

Apesar de uma decisão estratégica, tomada no início do ano, de limitar o crescimento do número de atividades na FLIM e focar no aumento da qualidade e da diversidade, o número de atrações continuou crescendo, devido ao interesse de produtores e agentes culturais em participar do evento. A primeira edição, em 2010, teve 20 atrações, a edição seguinte, em 2011, dobrou para 40 e a de 2012 subiu para 60. O objetivo em 2013 era não ultrapassar o total do ano anterior, mas, ao fim e ao cabo, foram oferecidas quase 80 atividades, incluindo as ações OFF FLIM. Em 2010, 90% das atrações eram locais (na maioria, produzidas pelas escolas municipais), enquanto em 2012 o percentual de atrações vindas de fora do município subiu para mais de 40%, percentual que se manteve em 2013.

O mais relevante, contudo, é que o objetivo de elevar a qualidade e a diversidade do conteúdo foi plenamente atingido. A IV FLIM apresentou, entre outras atrações, shows de música brasileira de excelente qualidade, com os grupos cariocas Cordão do Boitatá e Banda Mala & Cuia e o grupo de chorinho BJ Trio, da vizinha cidade de Bom Jardim. Três espetáculos teatrais foram apresentados por grupos de Petrópolis, São José das Três Ilhas (Belmiro Braga-MG) e da vizinha cidade do Carmo. E, por último, mas não menos importante, a palestra principal sobre o homenageado Mario Quintana foi proferida pelo escritor Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras.

A participação das escolas do município foi motivo de admiração dos visitantes e de orgulho para os madalenenses. Como já se tornou tradição, professores e alunos trabalham em sala de aula a obra do escritor homenageado e apresentam o resultado na FLIM. Para isso, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura adquire exemplares de livros do homenageado e os distribui para as escolas. Além disso, nos meses que antecederam o evento, a obra de Mario Quintana foi amplamente divulgada pela organização da FLIM nas redes sociais – de modo a aumentar o conhecimento sobre o poeta gaúcho na cidade.

O empenho, o  talento e a criatividade dos estudantes e de seus professores foram reconhecidos por todos os presentes. Todas as 19 escolas públicas da cidade apresentaram trabalhos na FLIM – desde as creches até a escola estadual de ensino médio.


Resultados econômicos

Sendo uma iniciativa liderada pela sociedade civil e largamente baseada em doações e trabalho voluntário, a FLIM não tem finalidade lucrativa. Assim, os ganhos econômicos aqui mencionados referem-se ao estímulo à economia do município, devido ao movimento gerado para o comércio e os serviços.

A rede hoteleira da cidade operou com 100% de sua capacidade e os restaurantes e bares do centro da cidade ficaram lotados. O movimento é considerado pelos hotéis e restaurantes maior que o da festa da padroeira da cidade e somente inferior ao do Carnaval. Isso confirma o potencial dos eventos culturais para estimular a economia do município.


Resultados educacionais e culturais

Apesar de serem de difícil mensuração, os resultados educacionais e culturais do evento são visíveis. A estratégia da FLIM de promover o diálogo cultural entre diferentes públicos e comunidades do município este ano foi ampliada com a realização de duas atividades “pré-FLIM” em uma comunidade rural (conhecida como “Dezessete”) e outra da periferia (um conjunto de casas populares). O objetivo foi estimular as famílias a levarem seus filhos à festa, exercitando seu protagonismo, independentemente da ação facilitadora do poder público ou de entidades da sociedade civil. O resultado foi animador. Casais moradores das duas comunidades foram vistos circulando pela festa, acompanhados dos filhos pequenos.

O estímulo ao intercâmbio cultural dos madalenenses com agentes culturais de outras cidades também se revelou muito produtivo. Este ano, graças a uma parceria com o SESI Cultural, do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) a população de Santa Maria Madalena, pela primeira vez em sua história, teve acesso a produtos culturais apoiados pelo SESI. No caso, o espetáculo teatral “Quintanares” e a banda de forró Mala & Cuia.

Outra parceria, com o Fórum Serrano de Cultura, integrado pelos Secretários de Cultura de 15 municípios da Região Serrana fluminense, permitiu trazer à FLIM um espetáculo musical de Bom Jardim, um espetáculo teatral de Carmo e uma banda de percussão de Cantagalo. Além disso, a Petrobrás (unidade Bacia de Campos) enviou seu Coral para se apresentar na abertura da FLIM, Todos os espetáculos encontraram grande receptividade do público.

Foram lançados nove livros na FLIM, sendo dois de autores madalenenses e o restante de autores do Rio de Janeiro e de cidades da região. Foram também realizadas duas rodas de leitura, três oficinas de produção literária, além de diversas contações de histórias para públicos de diferentes idades e oficinas de arte e xadrez.

Repercussão na mídia

A cobertura de imprensa em 2013 nada ficou a dever aos anos anteriores. A FLIM já entrou na pauta da mídia regional. Um levantamento parcial revela que foram publicadas matérias e notas em sites jornalísticos e culturais e na mídia convencional. Jornais como o Jornal de Sábado, de Cabo Frio, e O Debate, de Macaé, deram grande espaço ao noticiário sobre a FLIM. A InterTV, afiliada regional da Rede Globo de Televisão, deu boa cobertura antes e durante o evento.

É importante enfatizar que toda a mídia obtida foi espontânea, ou seja, trata-se de cobertura jornalística e não de publicidade paga. Isso representa um inestimável capital em termos de credibilidade para a FLIM e seus parceiros e apoiadores.

Este ano, utilizamos maciçamente a fan page da FLIM no Facebook, criada em 2012. A página no Facebook garantiu ampla divulgação do evento, associada ao blog oficial, ativo desde 2010, e que na edição deste ano ultrapassou a marca de 14 mil visualizações, 

Para mais detalhes sobre a cobertura de imprensa, favor ver o Apêndice deste documento.

O futuro

Tendo em vista o contínuo crescimento da FLIM, em tamanho, qualidade e visibilidade, o coletivo organizador vai fazer em 2014 nova revisão da estratégia do evento. Serão especificamente examinados os seguintes aspectos: necessidade de institucionalização da FLIM, para facilitar a captação de recursos financeiros públicos e privados; necessidade de aumentar a participação do empresariado local no financiamento e na organização do evento; mecanismos de estímulo à participação de voluntários na organização do evento; exame das relações de parceria da sociedade civil com o poder público e o empresariado.

A FLIM 2014 – V Festa Literária de Santa Maria Madalena está marcada para 29 a 31 de agosto de 2014.



Apêndice

A lista a seguir é uma amostra. Não representa toda a mídia espontânea obtida pela FLIM 2013.

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A cidade

Encravada na Serra Fluminense, a 230 quilômetros do Rio de Janeiro, Santa Maria Madalena mantém a arquitetura do tempo dos barões do café, em meio ao verde da Mata Atlântica. Sua combinação de beleza e simplicidade encanta os visitantes.


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Informações

culturaflim@gmail.com

Créditos

Projeto gráfico: AndersonGrafus
Foto da Pedra Dubois: Leandro Almeida