quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Programação FLIM 2017 - VIII Festa Literária de Santa Maria Madalena


Sexta-feira – 25 de agosto

19h às 20h

(1)  Abertura  Homenagem a Ana Maria Machado: exibição do vídeo Ana das crianças, Ana dos adultos; apresentação de: O elfo, a sereia e outros amores impossíveis, por alunos do Ciep 273; A romancista e o Barão, por alunos do Colégio Barão de Santa Maria Madalena; ABC do Brasil, pelo Projeto De Olho no Futuro, dos jovens moradores do distrito de Manoel de Moraes. Descerramento da placa comemorativa da VIII FLIM.

Casa da Cultura

21h

(2)  Lançamento – Livro Causos Madalenenses: Histórias da terra de Dercy, de Nestor Lopes, com contação de causos e apresentação de sanfoneiros.
Restaurante Varanda da Serra

22h às 23h30

(3)  Show Pratas da Casa – Músicos e cantores madalenenses
Tendão Cultural

Sábado – 26 de agosto

10h às 11h

(4)  Bate-papo com Ana – Encontro com a homenageada da FLIM (exclusivo para alunos das escolas, pais e professores)
Câmara Municipal

10h às 11h30

(5)  Comida saudável – Oficina. Nutricionista Alessandra Gonçalves ensina a crianças e seus pais o preparo de alimentos saudáveis e práticos.

Casarão Dubois

10h às 16h

(6)  Delícias e gostosuras – Contação de histórias, atividades artísticas e exposição de trabalhos dos alunos da Escola Geraldo Lima Garcia.

Sede da Euterpe

(7)  Ana vai à escola – Exposição, apresentações diversas e performances, pelos alunos do Ciep 273.

Quintal do Casarão Dubois

8)  Viagem ao mundo de Ana – Exposição de trabalhos dos alunos da Creche Luiz Antonio Rocha Carvalho.

Antigo Mercado Carino

(09)  Brincando e aprendendo com Ana – Exposição de trabalhos com materiais reciclados, dos alunos da escola Pingo de Gente.

Coreto da Praça Frouthé

(10)       A Mata que nos cerca– O Horto Florestal/Inea exibe sementes e mudas florestais da Mata Atlântica.
Praça Frouthé

(11       Madalena Ecoturismo: Caminhos e Trilhas do Desengano – Exibição de vídeo sobre o Parque Estadual do Desengano e as trilhas que oferece.
Praça Frouthé

10h às 17h

(12)       Barca das Letras: Da Amazônia para a Mata Atlântica – Brincadeiras, leituras e travessuras com o palhaço Ribeirinho.
Praça Frouthé

(13)       Xadrez para todos – Mesas e tabuleiros à disposição para jogo de xadrez

Praça Frouthé

10h às 18h

(14)       Histórias Pintadas II – Exposição. O pintor Fernando Paulino Neto capta cenas do cotidiano em tinta acrílica e aquarela.
Tudo no Espeto Bistrô

(15)       Liquefeitas – Exposição de arte contemporânea de Lina Ponzi.

Casarão Dubois

11h às 12h

(16)       Isso é Arte? – Bate-papo sobre arte contemporânea. Mediação: Lina Ponzi.

Casarão Dubois

(17)       Bate-papo e autógrafos – “Poesia no século 21 - Por que e para quem”, com o médico e  poeta José Fernando Guedes, seguido de autógrafos dos livros  “Se o vento diz” e “Revoada”.

G.E. Elias Francis

(18)       Vida de Colono– Elizabeth Linhares e Mara Mendonça mostram como era o dia-a-dia dos colonos nos tempos da cafeicultura na região. Na tenda do Clube dos Leões do Brasil, degustação da culinária típica dos colonos.

Tendão Cultural e Tenda dos Leões

11h às 18h

(19)       TransformArte – Exposição de esculturas de Daniel Ignácio.
Restaurante Nova Venda da Zezé

12h às 13h

(20)       Xadrez Literário – O jogo de xadrez e a literatura brasileira, com Vera Veronesi.

G.E. Elias Francis

13h às 16h

(21)       Uma viagem encantada – Exposição, dramatização e contação de histórias, pelo Centro Educacional de Madalena (Cemad).

Clube Montanhês

14h às 15h

(22)       Histórias espertas como elas só– Contação de histórias de esperteza, com Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque.

Quintal do Casarão Dubois


(23       Itacolomy/Desengano – Poemas no varal e músicas ao violão, com Gustavo Polycarpo

Bar do Careca

14h às 16h

(24)       Mesa-redonda: História e Política na Literatura – Bate-papo com os romancistas Carlos Jurandir, autor de Agora é Cinza, e José Arruda Silveira, autor de O poder da sombra; e a jornalista Iza Salles, autora de Um cadáver ao sol. Mediação do historiador Marcelo Abreu.

Câmara Municipal

14h às 17h

(25)       Da Praça Granito para a Praça Frouthé– Contação, desenho e doação de livros, com a família carioca Lucia, Mariene (jovem escritora) e Paulo Lino.

Praça Frouthé

15h às 16h

(26)       Joaquina, a corujinha de muitos anos – Lançamento do livro infantil de Paulo R. T. Borges, uma fábula que incentiva o envelhecimento ativo e saudável, inspirada em velhices reais.  

Tenda da E-Papers na Feira do Livro

(27)       Pássaros Artificiais: Narrativas pós-regionalistas e HQ – Bate-papo com o quadrinista e agitador cultural Diego Aguiar Vieira, dos projetos Macuco Beleza e Tocando Anu para Cantagalo.

Senhor Café

(28)       Novos olhares através da ludicidade – Lançamento do livro de Elaine Lopes.

Tenda do Projeto Saber (Feira de Livros)  – no gramado

(29)       Inovação na Educação: O caso do Projeto Independência. Cecília Pinheiro conta como a educação numa escola pública de Petrópolis foi reconfigurada a partir das práticas do educador José Pacheco, da Escola da Ponte, em Portugal.

Sede da Euterpe

15h30 às 17h

(30)       Poesia e os Direitos do Homem – Bate-papo comemorativo do 228o aniversário da Declaração dos Direitos do Homem. Compartilhamento de textos do público com os poetas Thássio G. Ferreira e Ronaldo Junior, seguido de autógrafos dos livros  (Des)nu(do)  e  O verso sou eu.  Mediação de Valéria Martins.

Tendão Cultural

16h às 17h

(31)       Formação de leitor: Uma questão de jardinagem – Bate-papo com Maria Clara Cavalcanti de Albuquerque, da PUC/RJ, sobre práticas de formação de leitores.

G.E. Elias Francis

(32)       Histórias do Bode Godofredo – Apresentação da história do bode que virou craque de futebol, com o escritor e compositor Flavio Dana.

Praça Frouthé

(33)       Fragmentos  – Grupo de teatro Harmonia. Direção de Marlene Freitas.

Casarão Dubois

16h30 às 18h30

(34)       Literatura em vídeo e música – Exibição do vídeo “Nélida Piñon, a dama de pétalas”, de Wander Lourenço; e apresentação de “O fascínio da literatura”, com a música ao vivo de Amarildo Silva e Valber Meirelles.

Câmara Municipal


17h às 18h

(35)       Relicário – Lançamento do livro de poemas de Patrícia Figueiredo de Castro.
Restaurante Massa di Casa

(36)       Da varanda do mundo – Lançamento do livro de poemas de Rick da Cunha.
Senhor Café


18h às 18h30

(37)       Música na Calçada

Sorveteria Mistura Fina do Sabor


19h às 21h

(38)       Ana para gente grande – Bate-papo com a homenageada Ana Maria Machado. Participação: Franca di Sábato.

Câmara Municipal


21h às 23h

(39)       Sarau – Microfone aberto para poetas e leitores de poesia dizerem seus poemas preferidos.
Restaurante Varanda da Serra

22h30 às 23h30h

(40)       Show – Trio Samba, Bossa e Breque, diretamente da Lapa.

Tendão Cultural

Domingo – 27 de agosto

10h às 11h

(41)    O jogo do resta 1 – Bate-papo com Guina Ramos sobre seu “romance socioantropológico, quase histórico, pouco político, meio filosófico, muito econômico”.

Tenda do Bruno Liberati


(42)       Um sentimento danado– Lançamento do livro infantil de Cecília Pinheiro.
Sede da Euterpe

(43)       A Poesia da Notícia– Lançamento do livro de Thiago David e bate-papo com o autor sobre o projeto “Um poema por dia”, baseado em notícias de jornal.
Tendão Cultural

10h às 16h

(44)       Delícias e Gostosuras – Contação de histórias, atividades artísticas e exposição de trabalhos dos alunos da Escola Geraldo Lima Garcia.

Sede da Euterpe


(45)       A Mata que nos cerca– O Horto Florestal/Inea exibe sementes e mudas florestais da Mata Atlântica.
Praça Frouthé

(46)       Ana vai à escola – Exposição, apresentações diversas e performances, pelos alunos do Ciep 273.

Quintal do Casarão Dubois

10h às 17h

(47)       Liquefeitas – Exposição de arte contemporânea de Lina Ponzi.

Casarão Dubois

(48)       Histórias Pintadas II – Exposição. O pintor Fernando Paulino Neto capta cenas do cotidiano em tinta acrílica e aquarela.
Tudo no Espeto Bistrô

(49)     Xadrez para todos – Mesas e tabuleiros à disposição para jogo de xadrez

Praça Frouthé

11h às 12h

(50)       Performances – com o Grupo de Teatro Harmonia. Direção de Marlene Freitas.

Calçada do Casarão Dubois

(51)       Histórias do Bode Godofredo – Apresentação da história do bode que virou craque de futebol, com o escritor e compositor Flavio Dana.

Praça Frouthé

11h às 17h


(52)   TransformArte – Exposição de esculturas de Daniel Ignácio
Restaurante Nova Venda da Zezé

12h às 13h

(53)       Vida urbana – Por que as cidades precisam de planejamento? Palestra de Regina Bienenstein, professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF.

Tendão Cultural

(54)       Quero minha água de volta– Lançamento do livro infantil de Fabiana Correa.
Sede da Euterpe

(55)       História da Filosofia em versos  Poesia e bate-papo com o poeta e professor Edson Sendin Magalhães.

Tenda das Escolas

14h às 15h

(56)       Mariná do Brasil, mulher do século 21 – Palestra da professora e ativista cultural Vanda Salles sobre a importância da obra da poeta madalenense Mariná Sarmento.
Senhor Café

16h às 17h
(57)       Terror na Praça – Espaço aberto para arrepiar adultos e crianças.  Venha ouvir e contar (ou ler) suas histórias favoritas de terror e suspense.
Gramado da Praça Coronel Braz


E ainda tem mais: 

Feira de Livros; Tenda dos Autores; Artesanato; Saber: O Dinossauro Leitor; Performances e Brincadeiras




Tenda das Escolas

Sábado 26 de agosto

10h às 14h

Comilões e passarinhos – Exposição de ilustrações e cartazes para livros de Ana Maria Machado, pela EEM Gentil Carolina M. Trindade, da localidade de Barra Linda (Renascença - 5º Distrito).

O mundo de Ana – Exposição de desenhos, cartazes, trabalhos manuais e exibição de vídeo, pela EEM Santo Antônio do Imbé (3º Distrito).

O que cabe na mala – Mostra de trabalhos e atividades lúdicas sobre a obra de Ana Maria Machado, pela EEM Osório Bersot  (7º Distrito).

Recontando Cachinhos de Ouro – Trabalhos dos alunos da creche da localidade de Manoel de Moraes (Doutor Loreti - 4º Distrito).

Cachinhos de Ouro em fantasia – Caracterizações e maquetes dos alunos da Creche Inah Jacy de Paula Peixoto, de Triunfo (2º Distrito).

Vida e obra de Ana Maria Machado – Exibição de trabalhos e atividades dos alunos da EEM Agulha dos Leais (3º Distrito).

Recontando a Menina Bonita – Exposição de cartazes, dobraduras e livrão feitos pelos alunos da E. M. Sebastião Borges Barreto, da localidade do Brinco (Santo Antonio do Imbé - 3º Distrito).

Ana: um mundo encantado – Exposição de cartazes e trabalhos manuais pela EEM Corrégio de Castro, de Triunfo (2º Distrito).

Brincando com a Menina Bonita – Mostra de trabalhos diversos. Dramatização às 11h, por alunos da Escola Hélio de Souza Martins, da localidade de Manoel de Moraes (Doutor Loreti - 4º Distrito).




sexta-feira, 12 de maio de 2017

Homenagem 2017: Arte, ética e encantamento na obra de Ana Maria Machado

A carioca Ana Maria Machado tem uma obra vasta e diversa. Seus livros para crianças, jovens e adultos, têm a presença do Brasil e das coisas brasileiras. São uma declaração de amor da autora ao país em que nasceu, até quando lhe faz críticas. São também um espaço de encantamento e revelações sobre o Brasil e os brasileiros. E tudo isso sem abrir mão do olhar sobre o mundo e sua diversidade.  

Foto: Acervo familiar
Pintora, jornalista, livreira, educadora: as muitas profissões que Ana exerceu ao longo da vida, e que foi deixando para se fixar como escritora, continuam a se refletir em seu ofício de escrever. Também revelam uma mulher sem medo de mudar, virar o mundo e a própria vida de cabeça para baixo, sempre que acha necessário.

Nas mais de 100 obras infantis e juvenis que a tornaram reconhecida internacionalmente, aparece, com sutileza e sem discursos didáticos enfadonhos, a preocupação de educar para as artes plásticas, para a música e para a valorização do conhecimento histórico e das práticas éticas. Disposta a abrir os horizontes de seus leitores, a autora com frequência subverte as regras tradicionais da narração. Uma de suas histórias vai ao ponto de começar com o “felizes para sempre”.

Ao longo de sua carreira literária, que a levou a deixar um dos mais altos salários pagos na época a uma mulher na imprensa brasileira, Ana Maria Machado participou ativamente da construção e consolidação de uma literatura infantil e juvenil nacional, até então quase que limitada às obras de Monteiro Lobato.  

Não é de admirar que a maior parte do prestígio nacional e internacional de Ana, que lhe valeu  a eleição para a Academia Brasileira de Letras em 2003, entre centenas de outros reconhecimentos, esteja associada a sua obra para crianças. Mas, como todos os grandes artistas, sua capacidade de surpreender é inesgotável. Desde que começou a publicar romances para adultos, em 1983, Ana já nos presenteou com uma dezena de obras que mesclam ficção e realidade, sentimento intensos e reflexões agudas, em busca de uma verdade que só a literatura é capaz de oferecer, sobre nós mesmos e as sociedades que construímos, 


Tudo somado, cerca de 200 livros já foram publicados com o nome de Ana Maria Machado na capa. São quase 150 obras infantis e juvenis, incluindo várias recontações de histórias tradicionais brasileiras, chinesas, árabes, africanas e da mitologia greco-romana; uma dezena de romances para adultos e jovens; e outro tanto de artigos e ensaios, em que a autora reflete sobre questões literárias, políticas e sociais. Seu primeiro livro publicado foi, curiosamente, para adultos: O Recado do  Nome, de 1977, sobre a obra de Guimarães Rosa. Era a tese de doutorado defendida pouco antes na França, onde viveu três anos, num auto-exílio voluntário para escapar do regime militar no Brasil. As experiências com os anos de repressão e falta de democracia no Brasil iriam depois aparecer, transfiguradas, em vários de seus livros infantis e  no romance adulto Tropical Sol da Liberdade. 

Enquete: Qual seu livro preferido de Ana Maria Machado?

A homenageada da FLIM 2017 escreveu tantos livros bons que é difícil escolher o melhor. Entre os mais conhecidos está Bisa Bia, Bisa Bel, inspirado nas lembranças que a autora guardou de suas avós. Também muito conhecidos pela garotada são Menina bonita do laço de fita e Raul da ferrugem azul, que denunciam os males da intolerância ao que parece ser "diferente". Sem esquecer que muitas crianças pelo Brasil a fora, aprenderam, e ainda aprendem, a ler com os volumes da série do "Mico Maneco". Nas estantes de gente grande, Infâmia, Tropical Sol da Liberdade e Canteiros de Saturno emocionam e fazem pensar.

Na impossibilidade de apontar o melhor, vamos tentar descobrir juntos qual o livro mais popular de Ana Maria Machado? Vai pensando aí, que em breve diremos onde você vai depositar o seu voto.

Obs.: Se precisar refrescar a memória, veja aqui a lista de todos os livros publicados pela Ana.

Amostras da Ana para adultos


"Cronos. O velho deus grego. O Saturno dos romanos. O Senhor do tempo. Tempo,tempo, tempo. Um senhor tão avaro. Sempre traindo, subtraindo. Diminuindo cada miúdo minuto." (Canteiros de Saturno, 1991)

"Talvez fosse por causa disso que Isadora detectava em si mesma, nesse momento, essa avareza. Mas, no fundo, sabia que não. Não era por aí. Não era esse o tempo que não queria compartilhar. Era algo de outra esfera. Outra órbita. Outro satélite de Saturno. O mais interior de todos. O tempo de que sua vida era tecida. O que ainda lhe restava viver, que nada lhe poderia devolver. Precioso. O que não queria gastar no tráfego nem arrumando gaveta. O que necessitava para pensar, mergulhar em si mesma. Ela tinha o direito de ser dona desses instantes, mandar neles, decidir o que queria fazer com cada um. Cada momento único que a separava da morte, viesse ela quando viesse." (Canteiros de Saturno, 1991)

"- Você (...) é uma artista, como eu. Nós temos que incomodar e trazer alguma coisa nova e bela. Nada é tão belo e novo como a moral. E ela aponta para a verdade. (...) Porque está na base de tudo, é alicerce. E tem muita coisa desagradável que a gente tem que olhar de frente, sem mentir, se quisermos que os tempos sejam melhores (...). Por exemplo, o fato de que nós somos muito violentos e sanguinários. A gente tem a mania de fingir, de dizer que nossa história se fez sem sangue (como se anemia fosse motivo de orgulho), enquanto os nossos vizinhos espanhóis e hispano-americanos foram tão cruéis. É mentira. Fomos tão cruéis quanto eles, só que mais hipócritas, e além de violentos, somos também muito ladrões. (...)

- Você está se referindo à corrupção dos colonizadores, à usurpação feita pelas classes dominantes?

- Não, Lena. Eu estou velho, não tenho mais tempo de mentir. (...) Eu estou falando é da ladroagem geral, mesmo. Todo mundo aqui no Brasil quer enganar o outro, passar a perna (...) Cada um só pensa em si mesmo, ninguém tem a menor noção do direito do outro, do respeito aos outros seres humanos e à vida em geral. Cada um vive como se o mundo inteiro tivesse sido criado para ser seu escravo e sua propriedade." (Tropical sol da liberdade, 1988)

"No caminho, pelo meio do beco que passava nos fundos da casa - nem rua era, mas uma antiga servidão - as pernas vergaram de vez, esfareladas de cupim. E para sempre incapacitado de recriar o mi-ré-mi-ré-mi-si-ré-dó-lá das eternas "Pour Elise", o piano caiu de joelhos no meio da servidão." (Tropical sol da liberdade, 1988)

"A leitura nos faz viajar, (...) nos transporta para outras experiências, outras vivências que não teríamos sem ela. O escritor Alberto Martins sustentava,(...) que, já que a leitura de literatura nos transporta, é fundamental garanti-la para todos, até mesmo por respeito ao inalienável direito de ir e vir, previsto na Constituição. (...) Literatura para o povo, então, e já! (...) Em vez de perdermos tempo discutindo se é importante ler, sejamos pragmáticos e aproveitemos todas as oportunidades para pôr professores, jornalistas e burocratas em contato com bons livros. E com a arte, em geral." (Hospital da Alma, texto publicado em Balaio: Livros e Leituras, 2007)

"Não basta, portanto, ler manuais de instruções, textos fechados, clichês, frases feitas (...), conselhos rasteiros. Esse tipo de leitura só serve para fortalecer obediências cegas, consolidar servidões, reforçar preconceitos. (...) Pode ser extremamente útil aos poderosos, garantindo-lhes sociedades de consumo passivo, seja para comprar qualquer produto, seja para apresentar comportamentos fanáticos em política ou religião, seja para ir à guerra com outros povos ou outras etnias."(Ler e Crescer, palestra publicada em Balaio: Livros e Leituras, 2007)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

RELATÓRIO DA FLIM 2016


Apresentação

A FLIM - Festa Literária de Santa Maria Madalena é realizada anualmente, desde 2010, no último fim de semana de agosto. O evento oferece um fim de semana inteiro de atrações culturais gratuitas, no centro histórico da cidade. É promovido pela sociedade civil, através da Associação Pró-Cultura de Santa Maria Madalena, em parceria com o poder público municipal e as pequenas empresas locais. A FLIM visa contribuir para a educação e a cultura inclusiva no interior do Estado do Rio de Janeiro e estimular em Santa Maria Madalena o turismo cultural para dinamizar a economia municipal.  

Neste Relatório estão os resultados da sétima edição da FLIM, realizada no período de 26 a 28 de agosto de 2016. Turistas e moradores puderam usufruir de um cardápio com mais de 60 atrações culturais que, certamente, enriqueceram a formação cidadã e estética dos envolvidos.


Orgulhamo-nos de constatar que em 2016, mais uma vez, a FLIM superou os resultados do ano anterior. Apesar das limitações impostas pela atual crise econômica, novamente conseguimos atingir nossos objetivos estratégicos: 1) aumentar continuamente a qualidade do conteúdo oferecido; 2) aprofundar o intercâmbio cultural com outras cidades e regiões fluminenses e de outros estados; 3) propiciar inclusão social através do acesso à cultura; 4) contribuir para o desenvolvimento do turismo no município; e 5) ampliar a presença de Santa Maria Madalena no mapa cultural e turístico do estado do Rio de Janeiro.

Agradecemos aos amigos e parceiros que, dentro e fora de Santa Maria Madalena, contribuíram com trabalho voluntário e/ou doações financeiras e de recursos materiais para o sucesso de mais esta edição da FLIM.

Santa Maria Madalena, 20 de setembro de 2016
Mario Vahia – Presidente da Associação Pró-Cultura de Santa Maria Madalena
Nestor Lopes – Secretário Municipal de Educação, Esporte e Cultura
Rogério Botelho – Presidente da ACIAM (Ass. Ind., Com. e Agropecuária de Santa Maria Madalena


O público

O formato do evento - dezenas de atrações simultâneas em diferentes locais, todas com entrada livre e gratuita – dificulta quantificar com precisão o público presente. Contudo, nossas estimativas indicam que entre 3 mil e 4 mil pessoas participaram da VII FLIM. Para colocar em perspectiva, é preciso notar que a população total madalenense é de 10 mil habitantes, espalhados por uma área de 800 quilômetros quadrados, cortada por estradas de terra e sem transporte público. Além disso, a cidade tem uma rede hoteleira de pequeno porte, embora de bom nível e com opções variadas. Portanto, o fato de o evento ter sido capaz de reunir um público equivalente a pelo menos 30% da população total do município, num ano de crise econômica, indica sua força e relevância.

A rede hoteleira da cidade ficou lotada e muitos participantes se hospedaram em residências de familiares e amigos. Além disso, registramos a presença de visitantes de um dia, moradores das cidades mais próximas.
Foi registrada a presença de turistas e visitantes de um dia provenientes de Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Conceição de Macabu, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Carapebus, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Cordeiro, Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Trajano de Moraes, São Sebastião do Alto, São Fidélis, Itaocara, Aperibé e Juiz de Fora (MG). Muitos já são habitués da FLIM.
Como em todas as edições anteriores, a Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura, uma das instituições copromotoras do evento, estimulou e facilitou a participação dos alunos da rede municipal de ensino. Alimentação e transporte escolar, fornecidos pela Secretaria, permitiram aos estudantes, mesmo os que moram nas mais distantes áreas rurais do município, apresentar os trabalhos que produziram em sala de aula, sobre a vida e a obra do homenageado Antônio Torres, romancista e contista brasileiro de renome internacional, membro da Academia Brasileira de Letras.

Foram oferecidas mais de 60 atrações, marcadas pela diversidade: palestras, shows de música popular (rock, samba e hip hop), lançamentos de livros, oficinas, sarau poético-musical, teatro, recitais de poesia, exposições de artes plásticas, performances ao ar livre e feira de livros e artesanato.

Resultados educacionais e culturais

A presença de jovens, um grupo etário mais difícil de atrair para atividades que envolvem outras faixas etárias, e que, pela primeira vez, mereceu destaque na edição de 2015, consolidou-se em 2016. Trata-se de uma conquista social importante para a formação de público de cultura no município e região.Vale destacar que vários jovens não se contentaram em apenas participar do evento como plateia, mas participaram ativamente de sua organização e realização. Esta é outra conquista socialmente relevante, pois a autoestima e o sentimento de pertencimento dos indivíduos contribuem para a formação e manutenção de uma sociedade saudável.  

Outro destaque: a intensa participação, desde a etapa de preparação da Festa, do setor de Orientação Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, estimulou o diálogo entre a Associação Pró-Cultura e as escolas do município. A troca de ideias abriu novos horizontes para a exploração da obra do escritor homenageado nas escolas e ampliou a divulgação das realizações de professores e alunos na FLIM através dos canais de comunicação da Pró-Cultura. Acreditamos ser esse diálogo mutuamente benéfico para as escolas e para a FLIM.


Resultados econômicos

Como o evento não tem finalidade lucrativa, os ganhos econômicos aqui mencionados se referem aos obtidos pelos comerciantes e prestadores de serviços do município. Em 2016, consolidou-se no comércio local - especialmente para os estabelecimentos em ligação direta com o turismo, como hotéis, pousadas, bares, restaurantes e lojas de souvenir - a avaliação de que a FLIM é o segundo evento gerador de faturamento no município, sendo o primeiro o Carnaval.  

Embora não haja levantamentos estatísticos que nos permitam comprovar com números, é importante ressaltar também a avaliação dos comerciantes locais sobre as características dos turistas atraídos para a cidade pela FLIM: o comportamento bem-educado, que agrada aos madalenenses pela maneira respeitosa e cuidadosa com que tratam a cidade, os equipamentos públicos e os pontos comerciais. Tal comportamento evita prejuízos para o poder municipal e os comerciantes, que não têm que arcar com custos de reparos gerados por turistas predatórios.

Além dos ganhos que proporciona aos empreendimentos já existentes no município, a FLIM aponta oportunidades de investimentos futuros para os empreendedores locais: a realização de outros eventos ao longo do ano, de modo a ampliar o calendário turístico da cidade; a consequente ampliação da rede hoteleira e de bares e restaurantes; as vendas de produtos locais artesanais, como queijos, mel, doces, objetos, cervejas e cachaças artesanais; e a abertura de espaços para a venda de produtos culturais, não apenas durante o evento, mas no ano inteiro.


O futuro

O desafio da FLIM é ampliar suas fontes de recursos financeiros e de mão-de-obra voluntária para sua organização e realização. O evento tem crescido a cada ano, sem o correspondente crescimento do volume de recursos materiais.  Diante da crise econômica que o Brasil enfrenta, com o enxugamento dos orçamentos públicos e privados, o setor de cultura é, de um modo geral, um dos primeiros a sofrer as consequências.

A FLIM sempre teve por princípio não depender integralmente de recursos públicos, de qualquer esfera de governo. De um lado, isso vem dando ao evento um grau de resiliência suficiente para que resista aos altos e baixos dos orçamentos públicos. O fato de até agora nunca ter conseguido entrar em qualquer edital de apoio à cultura (privado, estadual ou federal), embora lamentável, tem também um aspecto positivo, pois contribuiu para aumentar a mencionada resiliência.

De outro lado, a carência crônica de recursos financeiros e materiais está levando a um certo esgotamento da mão-de-obra voluntária que tem garantido a realização da FLIM, devido à sobrecarga que isso gera. Por isso, entendemos que o grande desafio da FLIM em 2017 será ampliar o número de voluntários que a apoiam, sejam pessoas físicas, sejam empresas, sejam poderes públicos. Seja esse apoio em horas de trabalho não remunerado, seja em doações financeiras e de recursos materiais (por exemplo: transportes, serviços gráficos, serviços de alimentação e hospedagem, materiais de decoração e etc.).

Acreditamos que, se a sociedade madalenense reforçar seu apoio à FLIM já na etapa de planejamento e organização, que se iniciará em fevereiro de 2017, conseguiremos garantir a continuidade da festa e produzir um evento tão bom ou melhor que o de 2016.

A FLIM 2017 – VIII Festa Literária de Santa Maria Madalena está marcada para 25 a 27 de agosto de 2017.



Seguidores

A cidade

Encravada na Serra Fluminense, a 230 quilômetros do Rio de Janeiro, Santa Maria Madalena mantém a arquitetura do tempo dos barões do café, em meio ao verde da Mata Atlântica. Sua combinação de beleza e simplicidade encanta os visitantes.


OUTRAS FLIM


Como chegar,
Onde ficar

Informações

culturaflim@gmail.com

Créditos

Projeto gráfico: AndersonGrafus
Foto da Pedra Dubois: Leandro Almeida