terça-feira, 20 de setembro de 2016

RELATÓRIO DA FLIM 2016


Apresentação

A FLIM - Festa Literária de Santa Maria Madalena é realizada anualmente, desde 2010, no último fim de semana de agosto. O evento oferece um fim de semana inteiro de atrações culturais gratuitas, no centro histórico da cidade. É promovido pela sociedade civil, através da Associação Pró-Cultura de Santa Maria Madalena, em parceria com o poder público municipal e as pequenas empresas locais. A FLIM visa contribuir para a educação e a cultura inclusiva no interior do Estado do Rio de Janeiro e estimular em Santa Maria Madalena o turismo cultural para dinamizar a economia municipal.  

Neste Relatório estão os resultados da sétima edição da FLIM, realizada no período de 26 a 28 de agosto de 2016. Turistas e moradores puderam usufruir de um cardápio com mais de 60 atrações culturais que, certamente, enriqueceram a formação cidadã e estética dos envolvidos.


Orgulhamo-nos de constatar que em 2016, mais uma vez, a FLIM superou os resultados do ano anterior. Apesar das limitações impostas pela atual crise econômica, novamente conseguimos atingir nossos objetivos estratégicos: 1) aumentar continuamente a qualidade do conteúdo oferecido; 2) aprofundar o intercâmbio cultural com outras cidades e regiões fluminenses e de outros estados; 3) propiciar inclusão social através do acesso à cultura; 4) contribuir para o desenvolvimento do turismo no município; e 5) ampliar a presença de Santa Maria Madalena no mapa cultural e turístico do estado do Rio de Janeiro.

Agradecemos aos amigos e parceiros que, dentro e fora de Santa Maria Madalena, contribuíram com trabalho voluntário e/ou doações financeiras e de recursos materiais para o sucesso de mais esta edição da FLIM.

Santa Maria Madalena, 20 de setembro de 2016
Mario Vahia – Presidente da Associação Pró-Cultura de Santa Maria Madalena
Nestor Lopes – Secretário Municipal de Educação, Esporte e Cultura
Rogério Botelho – Presidente da ACIAM (Ass. Ind., Com. e Agropecuária de Santa Maria Madalena


O público

O formato do evento - dezenas de atrações simultâneas em diferentes locais, todas com entrada livre e gratuita – dificulta quantificar com precisão o público presente. Contudo, nossas estimativas indicam que entre 3 mil e 4 mil pessoas participaram da VII FLIM. Para colocar em perspectiva, é preciso notar que a população total madalenense é de 10 mil habitantes, espalhados por uma área de 800 quilômetros quadrados, cortada por estradas de terra e sem transporte público. Além disso, a cidade tem uma rede hoteleira de pequeno porte, embora de bom nível e com opções variadas. Portanto, o fato de o evento ter sido capaz de reunir um público equivalente a pelo menos 30% da população total do município, num ano de crise econômica, indica sua força e relevância.

A rede hoteleira da cidade ficou lotada e muitos participantes se hospedaram em residências de familiares e amigos. Além disso, registramos a presença de visitantes de um dia, moradores das cidades mais próximas.
Foi registrada a presença de turistas e visitantes de um dia provenientes de Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Macaé, Conceição de Macabu, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Carapebus, Campos dos Goytacazes, Cantagalo, Cordeiro, Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Trajano de Moraes, São Sebastião do Alto, São Fidélis, Itaocara, Aperibé e Juiz de Fora (MG). Muitos já são habitués da FLIM.
Como em todas as edições anteriores, a Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura, uma das instituições copromotoras do evento, estimulou e facilitou a participação dos alunos da rede municipal de ensino. Alimentação e transporte escolar, fornecidos pela Secretaria, permitiram aos estudantes, mesmo os que moram nas mais distantes áreas rurais do município, apresentar os trabalhos que produziram em sala de aula, sobre a vida e a obra do homenageado Antônio Torres, romancista e contista brasileiro de renome internacional, membro da Academia Brasileira de Letras.

Foram oferecidas mais de 60 atrações, marcadas pela diversidade: palestras, shows de música popular (rock, samba e hip hop), lançamentos de livros, oficinas, sarau poético-musical, teatro, recitais de poesia, exposições de artes plásticas, performances ao ar livre e feira de livros e artesanato.

Resultados educacionais e culturais

A presença de jovens, um grupo etário mais difícil de atrair para atividades que envolvem outras faixas etárias, e que, pela primeira vez, mereceu destaque na edição de 2015, consolidou-se em 2016. Trata-se de uma conquista social importante para a formação de público de cultura no município e região.Vale destacar que vários jovens não se contentaram em apenas participar do evento como plateia, mas participaram ativamente de sua organização e realização. Esta é outra conquista socialmente relevante, pois a autoestima e o sentimento de pertencimento dos indivíduos contribuem para a formação e manutenção de uma sociedade saudável.  

Outro destaque: a intensa participação, desde a etapa de preparação da Festa, do setor de Orientação Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, estimulou o diálogo entre a Associação Pró-Cultura e as escolas do município. A troca de ideias abriu novos horizontes para a exploração da obra do escritor homenageado nas escolas e ampliou a divulgação das realizações de professores e alunos na FLIM através dos canais de comunicação da Pró-Cultura. Acreditamos ser esse diálogo mutuamente benéfico para as escolas e para a FLIM.


Resultados econômicos

Como o evento não tem finalidade lucrativa, os ganhos econômicos aqui mencionados se referem aos obtidos pelos comerciantes e prestadores de serviços do município. Em 2016, consolidou-se no comércio local - especialmente para os estabelecimentos em ligação direta com o turismo, como hotéis, pousadas, bares, restaurantes e lojas de souvenir - a avaliação de que a FLIM é o segundo evento gerador de faturamento no município, sendo o primeiro o Carnaval.  

Embora não haja levantamentos estatísticos que nos permitam comprovar com números, é importante ressaltar também a avaliação dos comerciantes locais sobre as características dos turistas atraídos para a cidade pela FLIM: o comportamento bem-educado, que agrada aos madalenenses pela maneira respeitosa e cuidadosa com que tratam a cidade, os equipamentos públicos e os pontos comerciais. Tal comportamento evita prejuízos para o poder municipal e os comerciantes, que não têm que arcar com custos de reparos gerados por turistas predatórios.

Além dos ganhos que proporciona aos empreendimentos já existentes no município, a FLIM aponta oportunidades de investimentos futuros para os empreendedores locais: a realização de outros eventos ao longo do ano, de modo a ampliar o calendário turístico da cidade; a consequente ampliação da rede hoteleira e de bares e restaurantes; as vendas de produtos locais artesanais, como queijos, mel, doces, objetos, cervejas e cachaças artesanais; e a abertura de espaços para a venda de produtos culturais, não apenas durante o evento, mas no ano inteiro.


O futuro

O desafio da FLIM é ampliar suas fontes de recursos financeiros e de mão-de-obra voluntária para sua organização e realização. O evento tem crescido a cada ano, sem o correspondente crescimento do volume de recursos materiais.  Diante da crise econômica que o Brasil enfrenta, com o enxugamento dos orçamentos públicos e privados, o setor de cultura é, de um modo geral, um dos primeiros a sofrer as consequências.

A FLIM sempre teve por princípio não depender integralmente de recursos públicos, de qualquer esfera de governo. De um lado, isso vem dando ao evento um grau de resiliência suficiente para que resista aos altos e baixos dos orçamentos públicos. O fato de até agora nunca ter conseguido entrar em qualquer edital de apoio à cultura (privado, estadual ou federal), embora lamentável, tem também um aspecto positivo, pois contribuiu para aumentar a mencionada resiliência.

De outro lado, a carência crônica de recursos financeiros e materiais está levando a um certo esgotamento da mão-de-obra voluntária que tem garantido a realização da FLIM, devido à sobrecarga que isso gera. Por isso, entendemos que o grande desafio da FLIM em 2017 será ampliar o número de voluntários que a apoiam, sejam pessoas físicas, sejam empresas, sejam poderes públicos. Seja esse apoio em horas de trabalho não remunerado, seja em doações financeiras e de recursos materiais (por exemplo: transportes, serviços gráficos, serviços de alimentação e hospedagem, materiais de decoração e etc.).

Acreditamos que, se a sociedade madalenense reforçar seu apoio à FLIM já na etapa de planejamento e organização, que se iniciará em fevereiro de 2017, conseguiremos garantir a continuidade da festa e produzir um evento tão bom ou melhor que o de 2016.

A FLIM 2017 – VIII Festa Literária de Santa Maria Madalena está marcada para 25 a 27 de agosto de 2017.



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Uma gostosa troca de afetos e saberes

A FLIM 2016 foi marcada pela intensa identificação dos madalenenses com a pessoa e a obra do autor homenageado. Formada por imigrantes de diversos países e habitada por famílias que ainda hoje vêem seus filhos migrarem para outras paragens do Brasil, Santa Maria Madalena se reconheceu no universo de Antônio Torres, o romancista e contista que transporta para a literatura e carrega consigo, como um fardo e um tesouro, as memórias do sertão baiano em que nasceu. Se os escritores mostram sua alma nos livros que escrevem, Santa Maria Madalena mostrou sua alma na FLIM. Veja aqui como foi.



As sanfonas estão presentes na obra de Torres e no cotidiano de Madalena
Os jovens do distrito de Manoel de Moraes, na área rural madalenense, emocionaram o público e Antônio Torres ao contar em forma de jogral um dos contos do  homenageado


A cidade se enfeitou e coloriu com a escrita de Antônio Torres








A afetividade e o prazer dos encontros e reencontros deram a tônica da festa










Momentos de sonho e fantasia para os grandes e os pequenos















 Táxi que inspirou um livro de Torres também inspirou pessoal da Pestalozzi

Contações de histórias propiciaram agradáveis encontros ao ar livre


Até o meio da rua é bom lugar para falar de livros, memórias e histórias

Leitura de contos na praça


A contação de histórias sobre bichos (gatos, cães, vacas e passarinhos foram o assunto) atraiu até o cachorrinho vadio

Saberes e fazeres foram compartilhados em oficinas, palestras e lançamentos 






O espaço das artes visuais










A graça e o prazer da dança 





Feira de livros e artesanato 







Pausa para a concentração



 A música brasileira aqueceu a noite serrana




Em 2017, a VIII FLIM espera por você!



Crédito das fotos: Elma Enne, Gilma Costa, Lina Ponce, Nestor Lopes, Romildo Guerrante, T.Costa


Saiba mais sobre a FLIM 2016 no Relatório Anual da Festa








quinta-feira, 25 de agosto de 2016

A poderosa gazua da literatura

São três autores com idades, estilos e histórias muito diferentes. Todos são trazidos pela FLIM pela E-Papers, uma jovem e bem-sucedida editora carioca, que nasceu para publicar textos acadêmicos em e-book e em papel e agora estende seus domínios para as paragens da literatura de ficção.Eles vão autografar suas obras e bater papo com os leitores na tenda da E-Papers na Praça Frouthé, domingo às 11h.
Maria Christina: desejo de desvendar e dar voz às mulheres
 Maria Christina Drummond Monteiro de Castro é mineira de família tradicional e tem 74 anos. Ela gosta de falar de mulheres: “Sempre me interessaram mais, as mulheres, tão ainda amarradas, tão buscantes e sem voz, e tão prenhes de potência e desejo”. Os contos são retalhos, pedaços de mulher, este ser “desdobrável”, como definiu a também mineira Adélia Prado. A autora sabe que mesmo se escrevesse milhares de contos e somasse todas as mulheres que conheceu ao longo da vida, nunca chegaria ao que se chama “o feminino”. Mas acha que vale a pena tentar. “A literatura, as palavras, são uma gazua poderosa”, diz ela. Daí o livro que traz para a FLIM, um conjunto de histórias enfeixadas no título “Acerto de Contas”.

Regina: para o leitor criar sua própria fantasia
 A carioca Regina Taccola escreveu seu primeiro conto aos sete anos. Deu-lhe o título de “A morte de Tarzan” e nele narrava o atropelamento e agonia de um cachorro tão ruivo quanto a sua dona. Fez sucesso na família. Na adolescência, ousou escrever um romance sobre rituais de passagem.  O original foi perdido num táxi por sua mãe, pouco antes de ser submetido à leitura crítica de um amigo literato. Regina entrou na universidade, formou-se em Medicina, tornou-se psicanalista. Em anos de prática no consultório, viu-se atravessando o abismo na corda bamba que separa o consciente do inconsciente. Do abismo fez ponte e voltou à ficção. O livro “Uma tarde embalada pelo mar” é o resultado desse processo, e é também o seu primeiro a chegar aos leitores. São contos curtos como janelas entreabertas, que permitem a cada um continuar a navegar e criar a sua própria fantasia.
Vitor: rigor ao aprisionar palavras no papel 
Vitor Menezes, nascido em Campos dos Goytacazes em 1974, é jornalista e professor universitário em Campos e Macaé. Traz para a FLIM o livro “Eu transaria com mortos”, uma coletânea de 20 crônicas e 20 contos, que só pelo ousado título já desperta interesse. Vejamos o que dele diz seu prefaciador, Jorge Rocha: “Vitor pegou o coração de vários textos de sua autoria, mediu-os, olhou por todos os ângulos e tão somente depois de convencer-se de que possuía algo que valia a pena aprisionar no papel, colocou esse material na balança. Esse livro registra o equilíbrio entre cronista e contista – ah, a tarefa de fantasiar o cotidiano, cotidianizar a fantasia; enfim, esses borogodós que a Literatura faz com a cabeça da gente – que dá forma a Vitor Menezes. Dá ou não dá vontade de ler?